sábado, 10 de maio de 2008

Parabéns 'a minha loucura - Reinaldo Ribeiro

Quando o azul do céu lembrar de mim;
Eu sei que me dirão adeus as nuvens carregadas;
Será como um princípio nascido no fim;
Será um novo destino, que acharei nas mesmas estradas!

Nem mesmo terei a necessidade de nascer de novo;
Sequer será preciso imolar o meu sacrifício;
Eu vou respirar nas correntes de ar desse sopro;
Eu vou encontrar a terrível dor, que me dará imenso alívio!

Meus gritos serão abafados por minhas gargalhadas;
Minha nova escrita ficará nas marcas que a borracha deixar;
Minhas mentiras falarão, quando por suas verdades forem atadas;
Eu verei um homem feliz, quando meus olhos pararem de me olhar!

Eu vou esticar as mãos e me tirar desse poço profundo;
Vou amar o meu conflito interior, antes que da paz eu venha desistir;
Um dia minha loucura há de ser mais viável que esse presente mundo;
No dia em que minha alegria puder chorar, o meu sofrimento irá sorrir!!

Cada dia sem gozo não foi teu - Ricardo reis

Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.

Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.

Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!

Pecado Original - Álvaro de campos

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.

O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.

Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.

Que é daquela nossa verdade — o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza — o propósito a mesa de depois?

Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.

Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?

Quantos Césares fui!

Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligência, e com alguma razão —
Meu Deus! meu Deus! meu Deus!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!

Eu, segundo eu - Reinaldo Ribeiro

Eu sou chamado de mistério, mas na realidade sequer sou visto;
As minhas sombras, ganham todos os prêmios da minha luz;
Sou condecorado com honras de covarde, tão somente porque resisto;
Sou saqueado pela injustiça, porque a hipocrisia não me induz!

A falsidade vive a me beijar, e se ilude com minha aparente inércia;
Ela ignora que dialogo habilmente, com todas as suas faces;
Seu mar venenoso, sonha manter minha virtude submersa;
Por não suportar minha fala, imputa-lhe o rol dos disfarces!

Eu sou um mundo desabitado, porque me sinto espécime singular;
Já extenuei minha esperança, com meus discursos sem tribuna;
Na Arca de Noé eu não entraria, pois sou gênero sem par;
Penso ser leito de rio, inundado por águas de laguna!

E assim vou eu, soldado solitário, nessa guerra por todos;
Alcatéia de uivos em monólogos, matilha sem latido;
Arquipélago incompreendido, de mares antagônicos envoltos;
Com fama de franco atirador, mas na verdade, um combatente ferido!

Nota de Maria Souza:

Ele ainda não havia me encontrado quando escreveu esse texto e só por isso acreditava não poder entrar na Arca de Noé. Agora ele já sabe que pode, mas a arca não existe mais!! rsrsrs

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Quem é a minha musa? (Reinaldo Ribeiro)

Ela flutua pelos ares e adorna os jardins suspensos do amor, na cor de suas asas;
Tem o beijo do sol poente nas águas oceânicas, estampado na vitrine de seu olhar;
Sua alma menina é lindamente carente, seus braços felinos são pura brasa;
Ela é mais forte que as avalanches, mas tórrida que as lavas, quando propõe-se a amar!
Ela é corpo poético, e poesia são os frutos de sua meiga imaginação;
Agrega em si todos os sonhos, que o mais sedento dos homens almejaria realizar;
Uma mistura divina da fragilidade feminina, com o poder devastador de um tufão;
Canção perfeita de notas apaixonantes, nos beijos dela é possível dedilhar!
A minha musa administra os meus excessos que se expressam em poesia;
Por ela eu digo mares, sentindo em pingos o deslumbre que me foge à tradução;
Só ela detém o sol, embasbacado a lhe apreciar, só ela converte a noite em dia;
Eu sou arado árido, faminto dela, que me abastece de ternura em inundação!Enquanto os tempos fazem brotar e legam o envelhecer, nela a sedução se eterniza;
Enquanto a morte abocanha os feitos, em cada gesto ela semeia uvas no meu transe;
Porque na musa de meus dias, o que não fui fenece e me torno mais do que jamais seria;
Porque se me faltarem suas asas e seus beijos, receio que a felicidade eu jamais alcance!
Por que se dão tantas questões, de quem seria a minha musa?
Se suas curvas estão expostas no cume das fascinações e no sorriso da natureza?
A minha musa voa e flutua, para o meu amor que jamais lhe recusa;
A minha musa brilha nas alturas, e ilumina a Terra com sua rara e eclética beleza!!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Memória - Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o ouvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

A dor do parto - Pedro De conti

Parto para longe
Da criança que nasce
Separada de mim

Rompendo o cordão
Mantenho a distância
Chorando por atenção

Já não sou a criança
Peço perdão
Por favor não chore não

terça-feira, 6 de maio de 2008

Dou não dou - Andynho

que tem teus olhos...?
que calam-me a voz...
e que secam a garganta...
que travam os meus lábios...

que tem teus olhos...?
que me pedem um beijo...
e que me bota medo...
ao que me aproximo...

que tem teus olhos...?
que queimam, torturam...
fitam e se vão...

que tem esses olhos??
que tem esses teus lindos olhos?
faca cortante... que penetra e dilacera...
punhal que perfura... e arranca a essência...

olhos que falam... e calam... e dizem...e pedem...
olhos famintos...
são falas da boca...
que pedem um beijo...
ou não!

As notas do seu corpo - Vadi Thaviny

Com as notas do seu corpo
Monto os acordes perfeitos
Em cada corda que dedilho
Uma linda melodia faz soar
Ecoando na acústica da alma
Na pauta do seu peito

Semínimas e colcheias fazem brotar
Num compasso que me perco
Com você o ritmo é quente
Não dá pra agüentar!

Nossa música é perfeita
Esse corpo que toca no meu corpo
Nos faz uma só composição
Amor ,desejo e paixão!

A morte - Valdeci Garcia

SE NADA HOUVER DEPOIS DA MORTE;
ENTÃO DEUS É UM BOBO,
CRIADOR DE BRINQUEDOS INÚTEIS.

Eu não minto - Evaldo da Veiga

Raramente minto.
E esta raridade está sempre presente quando falo de dor.
Não que eu queira gastar minha raridade,
se o bem adquire valor exatamente por ser raro.
Sim, porque não sei dizer de verdade da dor.
E quase sempre, a dor mente.
Por inocência ou teimosia, não gosto da dor.
Principalmente destas vinculadas aos desencantos do amor.
Porque não gosto?
Porque mesmo, de verdade, eu não sei.
Talvez seja porque ela está sempre onde não é convidada, e sequer desejada.
Somente por isso.
Também, tirando o somente por isso,
porque o amor, a alegria e o sorriso, não sabem conviver com a dor.
E assim, não consigo entender a dor do amor,
porque o amor só faz ser feliz.
Tristeza e abandono não são dores do amor,
porque o amor é indolor.
Sim o amor que não vingou.
Porque o amor vivo salva, enleva, eleva e esta sempre imune à dor.
Onde impera o amor, a dor fica anestesiada.
É invisível, ofuscada pelo brilho do amor.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Satisfeito - (Do meu poeta, Reinaldo Ribeiro)


Uma gota é pouco para consolidar o mar;
Um jardim não é constituído por uma mera flor;
Desertos não se formam do único grão a vagar;
Um só tempero é insuficiente à plenitude do sabor!

Uma tempestade requer muitas nuvens;
De vários sintomas se evidencia a enfermidade;
Ilumina-se uma noite, com grande número de luzes;
De muitos logradouros, edifica-se uma cidade!

A unicidade do fruto, não justifica a colheita;
Conforme o adágio, uma andorinha não arquiteta um verão;
Um minúsculo ingrediente, não pode encerrar a receita;
Uma nota musical, não complementa toda canção!

É ilógico crer no pouco que um tudo pode representar;
Nem se pode presumir, que um gesto vale mais que uma vida;
Mas um único beijo teu, satisfaz o meu paladar;
Possuindo o teu coração, de nada mais minha alma precisa!!!

sábado, 3 de maio de 2008

'As vezes loba, 'as vezes gente, 'as vezes insana. - Elen Viana

As vezes uivo, as vezes choro, as vezes grito. Nunca limito meu modo de ser. Deixo sempre transparecer ao amanhecer o que eu quero ser.... Um dia saio em busca da caça, um dia escrevo poemas, um dia naufrago em sonhos e devaneios... Uma noite uivo ao luar,uma noite choro ao teclar, uma noite rasgo meus livros e grito ao me deitar....como uma insana, como uma mulher, como uma loba...

Sou uma simples Peregrina - Elen Viana

...MEU DESEJO ERA DE SER UMA SIMPLES DONA DE CASA, COM NETOS 'A MINHA VOLTA, UM VESTIDO BEM RODADO E UM AVENTAL CHEIRANDO A OVO. PORÉM COMO NEM TUDO É PERFEITO, NASCI COM O JUGO DE ESCREVER, DE VIVER CADA PERSONAGEM E NÃO FINCAR ESTACAS EM NENHUM TERRITÓRIO... ALIÁS VIVO A PEREGRINAR E A AMAR CADA LUGAR, CADA SER, SEMPRE DEIXANDO TRANSPARECER O MEU DESEJO DE VIVER E ESCREVER MEUS SONHOS, MINHAS FANTASIAS, TRANSFORMANDO-AS EM LINDAS POESIAS...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

1 de Maio - Brownsugar

Dia do trabalhador !
Comemorações, shows, sorteios, enfim tudo organizado para agradar seu justo merecedor.
Mais um ano de labuta, de desacertos, de injustiças, de poucas alegrias, mas principalmente, de engolir sapos.
Um amigo dizia que no nosso Brasil, o cara tem de ter dois estômagos, um para digerir os alimentos e outro para digerir sapos. Tinha razão !
Agora, sapo duro de engolir, foi em homenagem que o Sr. Presidente, ao inaugurar mais uma obra, que o imortalizará, como aos faraós do Egito, faz a um pobre operário, que em discurso inflamado, o elogia, e, em dado momento, pergunta-lhe, de como o pobre patrício, consegue, com apenas um salário mínimo fazer tudo aquilo, -ao qual foi preconizado-, como pagar aluguel, estudos, alimentação, roupas, e ainda poupar, quando da sua criação à época de Getulio Vargas.
Durante o discurso, o Presidente prossegue: -Hoje, inauguro esta maravilhosa hidroelétrica, obra gigantesca ! -Mas a homenagem principal neste dia, é para este herói brasileiro, que faz de tudo para sobreviver, e com apenas, um salário mínimo !
–Filho, pergunta o Presidente ; -Como é mesmo seu nome ?
No que responde o brasileiro:
-David Copperfield , senhor !
Só sendo mágico !!!!!!!!