sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Utopia? - Elen Viana

Embora minha fé tenha sido abalada,
tenho calma.
De esperar do meu país,
um lugar de tranqüilidade,
paz e liberdade.
No falar, agir e viver.
Sem ter que sofrer,
com o mensalão;
CPI dos correios,
a mala de dinheiro,
apreendida no avião.
Que levou toda a nação
a desacreditar da política.
Que um dia subjetivava
e não politizava
seus filhos de fé.
Da educação, da fome e visão...
Visão de primeiro mundo...
Sem Alca, sem comprometimento,
com a natureza que nos dá o alimento,
para o nosso sustento,
índios morrem queimados,
por seres que se dizem civilizados,
andarilhos massacrados
nordestinos sendo humilhados...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Matuto doente das partes - Jessier Quirino

No tronco do ser humano,
Nos "finar" mais derradeiro
Tem uma rosquinha enfezada
Que quando tá inflamada
Incomoda o corpo inteiro
Se tossir, se faz presente
E se chorar se faz também

O "cabra" não pode nada
Com nada se entretém
Eu lhe digo, meu "cumpade"
Não desejo essa "mardade" pra rosca de seu ninguém

Não sei o nome da cuja
Desta cuja eu tiro o ja
O que resta é quase nada
Bote o nada na parada
Quero ver tu agüentar

Eu lhe digo meu "cumpade"
Que é grande humilhação
Um cabra do meu quilate,
Adoecido das parte,
Fazer uma operação

Não suportando mais dor,
O meu ato derradeiro
Foi procurar um doutor
Do bocado arengueiro

Do bocado arengueiro,
Feijoeiro, fiofó, bufante,
Frescó, lorto, apito,
Brote e bozó.
De furico, fedegoso,
Piscante, pelado, boga,
Fosquete, frinfra, sedém
Zueiro, ficha, vintém,
De ás de copa e de foba.
De oiti, "oi" de porco,
"ané" de couro e cagueiro,
De girassol, goiaba,
Roseta, rosa,
Rabada, boto, zero,
"miaieiro", de nó dos fundo,
Buzeco, de sonoro e pregueado,
Rabichol, furo, argola,
"ané" de ouro e de sola,
Boca de "veia" e zangado

Um doutor de aro treze,
De peidante e zé de boga,
Que não aperte o danado
Nem deixe com muita folga, "né"?
Um doutor "picialista" em bocada tarraqueta,
Doutor de quinca, dentrol,
Zé besquete, carrapeta
Doutor de rosca,
Rosquinha, tareco,
Frasco e obrón
Ceguinho, botico, zero,
Tripa gaiteira, fonfom,
"miaieiro", mucumbuco,
Boraco, proa, polgueiro,
Forever, cloaca, urna,
Gritador, frango e fueiro

Cano de escape, pretinho,
Rodinha, x.p.t.o.,
Zerinho, "subiador",
Tripa oca e fiofó
Um doutor de elitório ou de boca de caçapa
Que não seja inimigo,
Também não seja meu chapa
Tratador de canto escuro,
De boréu e de cheiroso,
De formiróide alvado,
De parreco e de manhoso,
De xambica e sibasol,
Apolônio e fobilário,
Bilé, brioco e "roxim"
Fresado, anilha e cagário
Vaso preto, zé careta,
Olho cego e espoleta,
Fuzil, fioto e foário

Não é doutor de ovário,
É doutor de orió!
De cá pra nós e bostoque,
De futrico e de ilhó,
De coliseu e caneco,
Roscofe, forno e botão
De disco, de farinheiro,
De jolie, fundo e fundão,
De cuovades, fichinha,
Que não vinha com gracinha
E que não tenha o dedão.
Um doutor de zé de quinca,
Canal dois e cagador
Buzina, vesúvio, cego,
Federais, sim senhor
"fagüieiro", zé zoada,
Rosquete e fim de regada
Eu só queria um doutor!

O doutor se preparou-se,
Parecia galileu
Aprumou um telescópio
Quem viu estrela fui eu
Ele disse:
"arriba as pernas"
Eu disse:
"tenha calma, sonho meu"
A partir daquela hora,
Perante nossa senhora,
Não sei o que "assucedeu"

Com as forças da humildade,
Já me sinto mais "mior"
Me desejo um ânus novo,
Cheio de "velso" e forró
E pros "cumpade", com franqueza,
Desejo grande riqueza:
Saúde no fiofó.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Vibrações (Isabel Tavares)


Quando o teu corpo
Veio em minha direção
De carinhos ao céu me ergueu

Me compôs um "que" de prazer
Trouxe calor ofegante
Que de tanto me valeu

A pureza oportuna
Do teu ser quente
Foi loucura de momento

Me abraçou fortemente
Quando a madrugada chegou
Que coisa boa
Fiquei sem argumento...

Não sei como explicar
Emoção tão latente
E nem apagar
O que vibra em minha mente

O que restou desta vez
Foi o bem que você me fez...

A ilha dos sentimentos (Viviana Torres)


Era uma vez uma Ilha onde moravam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Vaidade, a Sabedoria o Amor e outros...Um dia avisaram aos moradores da Ilha que ela seria inundada! Apavorado, o Amor cuidou para que todos os sentimentos se salvassem. Ele disse: fujam!!! A Ilha vai se inundada! Todos correram e pegaram os barquinhos para irem até um morro bem alto. Só o amor não se apressou...amava a Ilha e queria ficar um pouco mais...

Quando já estava se afogando, correu pra pedir ajuda...Vinha vindo a riqueza e ele disse: Riqueza me leva com você? – Não posso, meu barco está cheio de prata e ouro...você não cabe aqui...Passou a Vaidade e o Amor pediu: Vaidade, me leva com você? – Não posso, você vai sujar meu barco novo...Daí, passou a Tristeza e mais uma vez o Amor pediu: Me leva com você? – Ah! Amor! Eu estou tão triste que prefiro ir sozinha...Passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem viu o Amor...! Já desesperado e achando que iria ficar só, o amor começou a chorar...

Daí, passou um velhinho e, olhando, falou: Sobe Amor...eu te levo! O Amor ficou tão feliz que esqueceu de perguntar o nome do velhinho!!!Por fim, chegando no morro alto, o amor encontrou a Sabedoria e perguntou-lhe: Quem era aquele velhinho que me trouxe até aqui? – O Tempo! Respondeu a Sabedoria.- O Tempo? Mas por que só o tempo me trouxe até aqui? A Sabedoria respondeu: Só o Tempo é capaz de reconhecer um grande Amor...!

O amor mais verdadeiro que alguém tem por você foi demonstrado a muitos anos e permanece até hoje para beneficiar sua vida...O Amor de Deus!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Minha flor, meu bebê... - Cazuza


Dizem que tô louco
Por te querer assim
Por pedir tão pouco
E me dar por feliz
Em perder noites de sono
Só pra te ver dormir
E me fingir de burro
Pra você sobressair

Dizem que tô louco
Que você manda em mim
Mas não me convencem, não
Que seja tão ruim
Que prazer mais egoísta
O de cuidar de um outro ser
Mesmo se dando mais
Do que se tem pra receber
E é por isso que eu te chamo
Minha flor, meu bebê

Dizem que tô louco
E falam pro meu bem
Os meus amigos todos
Será que eles não entendem
Que quem ama nesta vida
Às vezes ama sem querer
Que a dor no fundo esconde
Uma pontinha de prazer
E é por isso que eu te chamo
Minha flor, meu bebê

A vida vai mudar (Danilo Caymmi)


Chego nesse lugar
Deixo o mundo adormecer
Deixo a alegria entrar
Fico perto de você

Minha menina
Se a vida é ruim
Basta você me olhar
Basta você tirar
Uma rosa desse jardim
Que a vida vai mudar
Vai brilhar dentro de mim

Até pensei (Chico Buarque)



Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caía
Toda maçã nascia

E o dono do bosque nem via
do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha

Que, de tolo
Até pensei que fosse minha
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
A dona dos olhos nem via

Do lado de lá tanta aventura
E eu a esperar pela ternura
Que enganar nunca me vinha
Eu andava pobre
Tão pobre de carinho

Que, de tolo
Até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida
Me ensinou essa modinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha

O que dizem os poemas (Carol Timm)


Às vezes um poema me diz tanto
Que é difícil dizer alguma coisa dele
Parece a extensão de um sentimento
Como se o poema fosse parte de mim

E cada vez que leio esse poema é outro
Como um jardim que balança com o vento
E sendo novo provoca outro sentimento
Que novamente parece brotar de mim

Por isso penso que poetas são como anjos
Que encantam as palavras ao escrever
Fazem rir as crianças e os homens crescer

Nem todos os poemas são assim especiais
Porque nem sempre os homens têm o dom
De vibrar na poesia e sonhar com a emoção

Talvez nos falte (Carol Timm)


Talvez o que nos falte simplesmente
Seja apenas abrir a caixa de sapatos
Tirar a roupa abafada nos dias quentes
Agasalhar-se da tristeza com afagos suaves

Talvez nos falte uma brisa no final da tarde
No rosto, como quando andamos de bicicleta
Andar com os pés pela areia até alcançar o mar
Olhar o céu e achar formas escondidas nas nuvens

Talvez nos falte o beijo após o dia, ao acordar, saindo ou
Chegando inesperadamente de algum lugar com saudades
A tolerância com os pequenos tão livres e soltos como fomos
E queríamos voltar a ser pelo resto de nossas vidas breves

Talvez nos falte conquistar a vida com tamanha vontade
Que o caminhar seja especial em todas as horas do dia
Fazendo poesia da falta de poesia, caminhando na rua
Pelo simples prazer de se poder ir e vir de algum lugar

Talvez nos falte aproveitar o que temos e esquecemos
Ao pensar no que queremos e morremos para alcançar
Ao meu lado há tanta gente e muitos vivendo em solidão
Penso nisso e me surpreendo como isso pode acontecer

Talvez nos falte a percepção de que não nos falta nada
De que tudo é tão perfeito assim como é, temos o sonho
E ele nos move não para nos saciar, mas pelo movimento
Caminhar é apreciar tudo a nossa volta e a própria estrada

Talvez nos falte a respiração profunda que faz sentir o corpo
O tato para perceber que custa tão pouco o abraço, um carinho
Talvez nos falte abrir verdadeiramente o coração para o amor
E mesmo assim, ao menor descuido, o amor entra e tudo sobra...

DO AMOROSO ESQUECIMENTO (MÁRIO QUINTANA)



Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Conflito (Zezé di Camargo e Wellington Camargo)


Outra vez aqui
De frente pra você
E querendo te falar
Outra vez aqui
De peito aberto,
Alma transparente
Uma verdade em meu olhar
Meu olhar...
Outra vez aqui
Querendo te falar
Da minha vida e te
Fazer entender
Palavras não convencem
Enquanto a gente está
Em mundos diferentes
Confundem a cabeça
Da gente
E a vida não
Tem solução
A incerteza bate forte
E deixa um homem
Feito um menino
Que ainda não fez
Seu destino
Não aprendeu
A lição
É assim que eu me sinto
Quando estou aqui
Com medo,
Temendo,
Querendo fugir
E todos os conflitos da Terra
Desabaram em mim
O cristal quebrou,
Já passou da medida
A porta fechou
E eu não vejo saída
E todos os conflitos da Terra
Desabaram em mim
Por Deus,
Volta pra mim!
Volta pra mim!
Volta pra mim!

A Cúmplice (Juca Chaves)


Eu quero uma mulher
Que seja diferente
De todas que eu já tive,
De todas tão iguais
Que seja minha amiga,
Amante, confidente
A cúmplice de tudo
Que eu fizer a mais.
No corpo tenha o sol
No coração a lua
A pele cor de sonho
As formas de maçãs
A fina transparência
Uma elegância nua
O mágico fascínio
O cheiro das manhãs.
Eu quero uma mulher
De coloridos modos
Que morda os lábios sempre
Que for me abraçar
No seu falar provoque
O silenciar de todos
E seu silêncio obrigue
A me fazer sonhar
Que saiba receber
Que saiba ser bem-vinda
Que possa dar jeitinho
A tudo que fizer
Que ao sorrir provoque
Uma covinha linda
De dia, uma menina
A noite, uma mulher.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Amigo Virtual (Fátima Merigue Mendonça)


Meu amigo virtual é diferente
Ele não olha nos meus olhos,
ele vê meu coração...

Meu amigo virtual é diferente
Ele não percebe as minhas lágrimas;
percebe o momento de me confortar.


Meu amigo virtual é diferente;
Ele sorri e me faz sorrir.

Meu amigo virtual
você não sabe, mas procuro-te sempre...
Você não sabe, mas fico feliz quando vens!
Olho para você, na expectativa de um sorriso...:-))
Espero-te assim como o sol espera pelo amanhecer...
Espero-te assim como a Lua espera pela noite,
Certa que virá!

Não me importa se vens através de telas
O que importa é que venhas!
Não sei porque te escolhi como amigo
Suas letrinhas são iguais a de todos os outros,
apenas suas palavras são firmes...
Você consegue me fazer acreditar.

Talvez você não saibas, mas quando me falas...
Quando brinca comigo
Quando me escutas
Quando me amas,
Exerce a nobre tarefa um amigo REAL.
Assim...cativa-me...

Escuto seu sorriso (hehehehe) através do sons do teclado.
Ouço teu coração através do meu coração,
Sinto tua alegria através da minha alegria...
Nunca deixe de vir...
Só conhecemos a importância dos verdadeiros amigos,
quando começamos a perceber sua ausência,
quando chamamos por todos e sómente ele vem.

Ser Poeta (Rose Felliciano)


I


"Tentar definir um poeta
É tarefa difícil e complexa
E nunca será completa
E nem deveria ser...


Mas tive meu pai como exemplo
Grande poeta e lamento
Que não esteja hoje aqui
Cantando e compondo prá mim


Dessa minha experiência
E do pouco que humildemente entendo,
Arrisco-me a deixar esse soneto


E dizer da satisfação que tenho
De ver tantos talentos e empenho
Na divina arte da poesia....


II

Para ser Poeta
Não basta ser escritor
Pois é na pura essência do amor
Que se geram as poesias.


Poesias vão muito além
Da rima e da métrica
Precisam da alma poética
E intensa razão de ser....


Poeta nunca será profissão
Pois dinheiro não fabrica inspiração
E nem a determina acontecer.

Não existe receita, treinamento ou faculdade.
Para ser poeta de verdade
Basta ter sensibilidade e ser simplesmente VOCÊ!”

Morrer é ridículo (Pedro Bial)


A morte, por si só, é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada,
está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem,
precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER!!!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio
estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve
lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física,
quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para
estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer
da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora
de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway,
numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém,
sem ter dançado com a garota mais linda,
sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e
penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas,
a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce,
caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina,
começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte
costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.
Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o
sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase
nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão,
desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!!!